{"id":7346,"date":"2026-06-26T16:37:24","date_gmt":"2026-06-26T16:37:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.wygroup.net\/?p=7346"},"modified":"2026-06-26T16:37:26","modified_gmt":"2026-06-26T16:37:26","slug":"portugal-dos-pequenitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.wygroup.net\/pt-pt\/portugal-dos-pequenitos\/","title":{"rendered":"Portugal dos Pequenitos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Agora que a Louis Vuitton j\u00e1 coloca \u201cmade in Portugal\u201d nos seus produtos, j\u00e1 podemos dizer que o problema da marca Portugal est\u00e1 resolvido?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A not\u00edcia de que a Louis Vuitton come\u00e7ou a assumir a designa\u00e7\u00e3o \u201cmade in Portugal\u201d em pe\u00e7as de marroquinaria em couro foi recebida com natural entusiasmo por governantes e associa\u00e7\u00f5es empresariais. E, em certa medida, compreende-se. Trata-se do reconhecimento claro da qualidade da nossa ind\u00fastria e do saber fazer dos nossos artes\u00e3os. Num pa\u00eds habituado a ter o seu valor escondido, qualquer visibilidade parece uma vit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas conv\u00e9m manter a lucidez e o sentido cr\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando uma marca de luxo passa a identificar Portugal como origem produtiva, n\u00e3o estamos perante uma mudan\u00e7a estrutural do posicionamento do pa\u00eds no mapa dos produtos de grande valor acrescentado. Estamos, isso sim, perante a confirma\u00e7\u00e3o de algo que muitos setores conhecem h\u00e1 muito: Portugal \u00e9 excelente a produzir para os outros. E \u00e9 precisamente aqui que reside o problema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O luxo vive de marcas, pelo que a captura de valor na cadeia do luxo acontece sobretudo para quem controla a conce\u00e7\u00e3o, a narrativa, e o controlo da distribui\u00e7\u00e3o. Ou seja, quem det\u00e9m a marca fica com a margem, o prest\u00edgio e o poder. Quem produz, mesmo com extrema excel\u00eancia, fica tipicamente com a parte mais magra da equa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portugal construiu, ao longo de d\u00e9cadas, uma reputa\u00e7\u00e3o s\u00f3lida em setores como o cal\u00e7ado, o t\u00eaxtil e a marroquinaria, entre outros. Temos clusters eficientes, m\u00e3o-de-obra altamente qualificada e uma capacidade industrial reconhecida e apreciada internacionalmente. O que continua a faltar, de forma estrutural, \u00e9 escala e ambi\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de marcas globais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Celebrar o \u201cmade in Portugal\u201d em produtos de terceiros \u00e9, no fundo, celebrar uma posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel \u2014 mas muito pequena. \u00c9 aceitar um papel de bastidor num palco onde outros recolhem os aplausos e os lucros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portugal tem talento de qualidade, tem artes\u00e3os e tem capacidade industrial. O que precisa, com urg\u00eancia, \u00e9 de transformar esta compet\u00eancia produtiva em imagem de marca. Caso contr\u00e1rio, continuar\u00e1 a ser necess\u00e1rio\u2026, mas substitu\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E para terminar, a pergunta imp\u00f5e-se, com alguma ironia: Agora que a Louis Vuitton j\u00e1 coloca \u201cmade in Portugal\u201d nos seus produtos, j\u00e1 podemos dizer que o problema da marca Portugal est\u00e1 resolvido?<br><br><em>Artigo de opini\u00e3o escrito por Jo\u00e3o Santos, COO no WYgroup, para a ECO +M<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agora que a Louis Vuitton j\u00e1 coloca \u201cmade in Portugal\u201d nos seus produtos, j\u00e1 podemos dizer que o problema da marca Portugal est\u00e1 resolvido? A not\u00edcia de que a Louis Vuitton come\u00e7ou a assumir a designa\u00e7\u00e3o \u201cmade in Portugal\u201d em pe\u00e7as de marroquinaria em couro foi recebida com natural entusiasmo por governantes e associa\u00e7\u00f5es empresariais. 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