{"id":5714,"date":"2024-09-11T12:24:42","date_gmt":"2024-09-11T12:24:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.wygroup.net\/wycreative-poe-maos-a-obra-2\/"},"modified":"2024-09-17T11:29:58","modified_gmt":"2024-09-17T11:29:58","slug":"luxo-para-que-te-quero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.wygroup.net\/pt-pt\/luxo-para-que-te-quero\/","title":{"rendered":"Luxo, para que te quero?"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Sei que o Luxo \u00e9 uma palavra maldita no l\u00e9xico portugu\u00eas. Fruto de 45 anos de uma vis\u00e3o monol\u00edtica e raqu\u00edtica, ainda vivemos debaixo do ensinamento de que devemos ser pobrezinhos para ser felizes.&#8221; diz Jo\u00e3o Santos COO do WYgroup.<\/h1>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Portugal passou de um pa\u00eds esquecido no final da Europa, para um pa\u00eds que est\u00e1 na moda. Recebemos anualmente o dobro da nossa popula\u00e7\u00e3o em visitantes, e come\u00e7amos a queixar-nos de que j\u00e1 estamos a receber visitantes a mais. Esquecemo-nos que o setor do Turismo, direta e indiretamente, representa hoje a mais importante fatia do nosso PIB e t\u00eam uma gera\u00e7\u00e3o de emprego muito substancial. Dir\u00e3o muitos que emprega com baixos valores. J\u00e1 l\u00e1 iremos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, e gra\u00e7as a esse fluxo de visitantes, alguns dos locais do nosso pa\u00eds come\u00e7aram a ser cobi\u00e7ados e desejados. Essa procura gerou modifica\u00e7\u00f5es e altera\u00e7\u00f5es nas nossas cidades e, goste-se ou n\u00e3o, se hoje temos cidades mais bonitos e arranjadas, isso deveu-se ao turismo e a nada mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, come\u00e7aram a surgir os investimentos \u2013 nacionais e internacionais. A procura por localiza\u00e7\u00f5es at\u00e9 aqui remotas, deu origem a empreendimentos e a transforma\u00e7\u00f5es profundas. Talvez o exemplo mais gritante seja a zona da Comporta e tudo o que ali nasceu e est\u00e1 a nascer. E come\u00e7aram os protestos, pois a zona popular e deserta de h\u00e1 20 anos, deu origem a uma outra exclusiva, repleta e de grande valor. Uns sentem-se exclu\u00eddos, os outros querem ser exclusivos.<\/p>\n\n\n\n<p>E aqui come\u00e7a o dilema.<\/p>\n\n\n\n<p>Se por um lado \u00e9 importante que o turismo mantenha o seu fulgor e a sua din\u00e2mica econ\u00f3mica, n\u00e3o podemos sacrificar as nossas cidades e os nossos locais \u00e0 sua enorme press\u00e3o. Mas por outro lado, quando fazemos algo exclusivo e de baixa intensidade, h\u00e1 quem se queixe por n\u00e3o poder usufruir desse espa\u00e7o como o fez num passado recente.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei que o Luxo \u00e9 uma palavra maldita no l\u00e9xico portugu\u00eas. Fruto de 45 anos de uma vis\u00e3o monol\u00edtica e raqu\u00edtica, ainda vivemos debaixo do ensinamento de que todos devemos ser pobrezinhos para sermos felizes. As revistas e as colunas cor-de-rosa fizeram o resto. Mostrando os nossos \u201cfamosos\u201d nas suas casas de luxo, carros de luxo e f\u00e9rias de luxo. H\u00e1 no mundo quem procure o luxo de ostenta\u00e7\u00e3o, outros preferem o luxo tranquilo; n\u00f3s sentimos vergonha do luxo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o mais importante, para al\u00e9m da \u00f3bvia necessidade de desdramatizar a palavra, \u00e9 olharmos para os segmentos de luxo e de alto valor acrescentado, n\u00e3o por aquilo que a opini\u00e3o p\u00fablica ou algumas for\u00e7as pol\u00edticas nos querem fazer ver, mas pelo verdadeiro valor econ\u00f3mico e transformador que estes segmentos podem ter no nosso pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela nossa geografia e modelo econ\u00f3mico, estamos muito ligados \u00e0s pequenas s\u00e9ries. Pelo nosso modelo empreendedor, somos avessos ao risco e preferimos fabricar para as marcas dos outros, em vez de para n\u00f3s pr\u00f3prios. No entanto, sabemos fazer e fazemos bem, numa grande variedade de setores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os mercados de luxo podem ajudar nesta transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, permitindo que as nossas pequenas escalas \u2013 no vinho, por exemplo \u2013 seja efetivamente valorizada, ajudando a posicionar o pa\u00eds como um produtor de alta qualidade e n\u00e3o de grandes volumes massificados. Talvez precisemos de menos vinha, mas de melhor qualidade. O mesmo para o azeite. N\u00e3o precisamos de olivais intensivos. Precisamos de produ\u00e7\u00e3o de alt\u00edssima qualidade que valorize o bom produto que temos condi\u00e7\u00f5es para produzir.<\/p>\n\n\n\n<p>E o mesmo se passa no turismo, no cal\u00e7ado, nos curtumes, na joalharia, e em muitos outros setores. N\u00e3o \u00e9 fazer mais, \u00e9 fazer melhor e com mais valor. E manter o destino e o pa\u00eds como sin\u00f3nimo de bem feito, de artesanal, de alta qualidade, de aten\u00e7\u00e3o e detalhe. Se \u00e9 f\u00e1cil? N\u00e3o. Mas se queremos aumentar produtividade e valor que nos permita fazer crescer sal\u00e1rios e ter um territ\u00f3rio mais sustent\u00e1vel, o caminho n\u00e3o pode ser o do muito, mas antes o do menos, mas muito bom.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim importa esclarecer que n\u00e3o defendo a cria\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds onde apenas os ricos tenham acesso, mas sim a constru\u00e7\u00e3o de uma economia mais forte e sustent\u00e1vel que beneficie todos. Ao focarmo-nos na cria\u00e7\u00e3o de valor, especialmente em setores onde temos potencial para nos destacarmos pela qualidade e pela excel\u00eancia, estaremos a gerar riqueza coletiva que pode ser redistribu\u00edda de forma a garantir que o acesso, qualquer que ele for, seja uma realidade partilhada e n\u00e3o o privil\u00e9gio de uns poucos. Nesse momento diremos que o Luxo servir\u00e1 para incluir, o que o tornar\u00e1 no Luxo Inteligente.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Artigo escrito pelo Jo\u00e3o Santos, COO do WYgroup, e originalmente publicado no <a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/opiniao\/luxo-para-que-te-quero\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-amber-color\">ECO<\/mark><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Sei que o Luxo \u00e9 uma palavra maldita no l\u00e9xico portugu\u00eas. Fruto de 45 anos de uma vis\u00e3o monol\u00edtica e raqu\u00edtica, ainda vivemos debaixo do ensinamento de que devemos ser pobrezinhos para ser felizes.&#8221; diz Jo\u00e3o Santos COO do WYgroup. 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