{"id":3810,"date":"2022-02-17T19:33:29","date_gmt":"2022-02-17T19:33:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.wygroup.net\/aumentar-ou-nao-aumentar-eis-a-questao\/"},"modified":"2024-01-03T22:46:48","modified_gmt":"2024-01-03T22:46:48","slug":"aumentar-ou-nao-aumentar-eis-a-questao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.wygroup.net\/pt-pt\/aumentar-ou-nao-aumentar-eis-a-questao\/","title":{"rendered":"Aumentar ou n\u00e3o aumentar, eis a quest\u00e3o\u2026"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Na \u00faltima d\u00e9cada, Portugal foi capaz de criar um conjunto de escolas de refer\u00eancia na \u00e1rea da Engenharia, que t\u00eam sido capazes de produzir um conjunto de talentos de muito elevado potencial.<\/h1>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Se juntarmos a esta condi\u00e7\u00e3o o facto de o portugu\u00eas ser naturalmente introspecto e de ter uma habilidade natural para entender e dominar l\u00ednguas estrangeiras, Portugal foi competente ao criar uma gera\u00e7\u00e3o de alto valor tecnol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Dispor deste talento deveria ter permitido uma modifica\u00e7\u00e3o estrutural ao n\u00edvel dos sistemas de informa\u00e7\u00e3o e dos modelos de digitaliza\u00e7\u00e3o das empresas portuguesas, sejam elas de que dimens\u00e3o forem. Durante mais de uma d\u00e9cada, as empresas portuguesas tiveram algum do melhor talento mundial \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o a um pre\u00e7o inegavelmente baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal descobriu o mundo no s\u00e9culo XV e foi descoberto no s\u00e9culo XXI. O in\u00edcio da realiza\u00e7\u00e3o da Web Summit em Lisboa permite mostrar o pa\u00eds e o seu ecossistema tecnol\u00f3gico a um conjunto de CTO\u2019s que rapidamente compreendem o potencial da localiza\u00e7\u00e3o: seguro, est\u00e1vel, competente, bem formado e\u2026 barato!<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed, at\u00e9 a abertura de grandes centros de compet\u00eancia tecnol\u00f3gicos, foi um pequeno passo. E hoje em dia perdem-se conta \u00e0s multinacionais que reposicionaram os seus centros para Portugal, aproveitando assim uma parte muito significativa dos seus recursos tecnol\u00f3gicos. Este movimento simult\u00e2neo cria um primeiro impacto vis\u00edvel no mercado: a escassez de recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora essa falta de recursos come\u00e7a a produzir o segundo efeito de curto prazo: quando aquilo que queremos n\u00e3o existe na quantidade que pretendemos, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 pagar mais para o obter. S\u00e3o as din\u00e2micas e o mercado a funcionar.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o fosse j\u00e1 suficientemente desafiante, eis que surge uma pandemia e o in\u00edcio da segunda grande altera\u00e7\u00e3o estrutural: o trabalho remoto. Rapidamente os talentos tecnol\u00f3gicos aperceberam-se da sua capacidade para trabalhar para outras geografias desde a tranquilidade das suas casas. Quando mercados como o norte-americano vivem uma crise de escassez de recursos tecnol\u00f3gicos tudo \u00e0 sua volta \u00e9 absorvido, incluindo muitos talentos nacionais. O duplo efeito volta-se a verificar: maior escassez e maior custo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O custo de oportunidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>As empresas portuguesas fornecedoras de servi\u00e7os tecnol\u00f3gicos v\u00eaem-se agora em m\u00e3os com um dilema: ou perdem os seus talentos ou acompanham as remunera\u00e7\u00f5es em grande medida j\u00e1 praticadas noutras geografias e noutras economias, com um poder de compra e uma agressividade econ\u00f3mica incompar\u00e1vel superior \u00e0 portuguesa. . E a solu\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode passar por aumentar remunera\u00e7\u00f5es, o que significa aumentar em muito os custos operacionais de empresas que s\u00e3o imensamente dependentes dos seus talentos. Sem pessoas n\u00e3o se desenvolvem produtos, nem se prestam servi\u00e7os. Mas para as manter e para assegurar a continuidade dos neg\u00f3cios, as empresas v\u00e3o tamb\u00e9m elas ser for\u00e7adas a fazer escolhas: a quem servir perante a escassez de recursos, e a que pre\u00e7o perante o seu aumento.<\/p>\n\n\n\n<p>As empresas portuguesas, habituadas a valores muito mais baixos que os praticados noutros mercados, n\u00e3o est\u00e3o preparadas para o choque que v\u00e3o receber. O primeiro impacto ser\u00e1 o ter de competir em pre\u00e7o com os valores que s\u00e3o praticados noutras geografias. A palavra que vamos mais ouvir? Incomport\u00e1vel. Depois, e mesmo que o valor seja, mesmo que a custo, suport\u00e1vel, h\u00e1 a quest\u00e3o da escassez. N\u00e3o vai ser quando a empresa quer, mas quando for poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O dilema<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Num momento em que os ecossistemas digitais e tecnol\u00f3gicos s\u00e3o cr\u00edticos e vitais para a esmagadora maioria dos neg\u00f3cios, o actual panorama dos talentos tecnol\u00f3gicos pode representar um dos maiores constrangimentos ao desenvolvimento do pa\u00eds a curto e m\u00e9dio prazo. Tudo o que as universidades portuguesas conseguem disponibilizar, \u00e9 absorvido pelo mercado de imediato. Abrir mais vagas tem pelo menos a necessidade de mais tr\u00eas anos para produzir resultados. E tr\u00eas anos na vida de uma empresa pode significar o seu fim. Talvez pela primeira vez na hist\u00f3ria do trabalho, haja um conjunto de profiss\u00f5es ditas normais que ter\u00e3o um padr\u00e3o de remunera\u00e7\u00e3o global. O futebol foi talvez o primeiro exemplo global de padr\u00f5es remunerat\u00f3rios, mas nunca antes um conjunto de profiss\u00f5es foi capaz de globalizar o seu padr\u00e3o de remunera\u00e7\u00e3o. Mas haver\u00e1 solu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar h\u00e1 boas not\u00edcias, h\u00e1 valor a entrar no pa\u00eds e h\u00e1 uma nova ind\u00fastria potencialmente exportadora que se posiciona. E ir\u00e1 exportar produtos e servi\u00e7os de alto valor acrescentado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m h\u00e1 m\u00e1s not\u00edcias: os sectores mais tradicionais da nossa economia e aqueles que precisam de fazer os ajustes ao seu modelo econ\u00f3mico, aproveitando todos os benef\u00edcios dos ecossistemas digitais e tecnol\u00f3gicos, ir\u00e3o sofrer e em muitos casos perder a competitividade de que tanto necessitam. As necessidades de curto prazo que temos s\u00f3 ser\u00e3o supridas com recurso a outras geografias \u2013 o Brasil \u00e9 uma delas gra\u00e7as ao atractivo seguran\u00e7a que conseguimos oferecer \u2013 e a forma\u00e7\u00f5es de reconvers\u00e3o que permitam a determinados perfis entrarem neste mercado n\u00e3o pela via universit\u00e1ria, mas pela via profissionalizante. Para que tal suceda, \u00e9 necess\u00e1rio que as empresas tomem as suas decis\u00f5es rapidamente, pois nunca como antes o tempo vale dinheiro, muito dinheiro!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Artigo de opini\u00e3o publicado originalmente na <a href=\"https:\/\/hrportugal.sapo.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-amber-color\">Human Resources.<\/mark><\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, Portugal foi capaz de criar um conjunto de escolas de refer\u00eancia na \u00e1rea da Engenharia, que t\u00eam sido capazes de produzir um conjunto de talentos de muito elevado potencial. 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