{"id":3518,"date":"2023-12-19T12:08:35","date_gmt":"2023-12-19T12:08:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.wygroup.net\/?p=3518"},"modified":"2023-12-29T14:52:55","modified_gmt":"2023-12-29T14:52:55","slug":"publicidade-por-favor-nao-incomodar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.wygroup.net\/pt-pt\/publicidade-por-favor-nao-incomodar\/","title":{"rendered":"Por favor, n\u00e3o incomodar!"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Nos \u00faltimos dias assisti a uma pequena confer\u00eancia sobre Inova\u00e7\u00e3o. A um determinado ponto, o orador explica que determinados modelos de Inova\u00e7\u00e3o disruptiva t\u00eam de ser postos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do consumidor a custo zero \u2013 oferecidos. S\u00f3 assim se conseguem criar massa cr\u00edtica para a sua ado\u00e7\u00e3o que permita a cria\u00e7\u00e3o de efeitos de rede. Foi assim com quase tudo, desde a r\u00e1dio \u00e0 televis\u00e3o, do Google ao YouTube, e por a\u00ed em diante.<\/h1>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>De facto, nenhum de n\u00f3s paga para fazer pesquisas, ou para ver v\u00eddeos. Trocamos o nosso tempo e os nossos dados por aquilo que andamos \u00e0 procura, seja informa\u00e7\u00e3o, conhecimento ou apenas por divers\u00e3o. Para que este modelo seja poss\u00edvel, as empresas t\u00eam de ter um modelo de financiamento do seu neg\u00f3cio. E a moeda de troca \u00e9 inevitavelmente a publicidade. A publicidade, essa incompreendida, paga o nosso entretenimento, uma parte do nosso conhecimento, e \u00e9 uma facilitadora da nossa vida. Mas n\u00e3o gostamos dela.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 f\u00e1cil entender porqu\u00ea. Na maioria dos casos ela \u00e9 intrusiva, coloca-se no meio do nosso caminho, obriga-nos a olhar para ela, interrompe-nos! E para mim este \u00e9 o ponto fundamental. A publicidade interrompe o nosso momento, para-nos o racioc\u00ednio, corta a narrativa. Enfim, incomoda!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com a ambi\u00e7\u00e3o e a \u00e2nsia de conquistar a nossa aten\u00e7\u00e3o, a publicidade criou, ao longo do tempo, a fama perversa de ser intrusiva e indesej\u00e1vel. De significar uma indesejada paragem. Paragem essa que os consumidores, todos n\u00f3s, se vingam ao utilizarem para fazerem, tamb\u00e9m eles, outras coisas. \u00c9 uma esp\u00e9cie de \u201camor com amor se paga\u201d.<\/strong> Quem nunca mudou de canal de TV quando o break publicit\u00e1rio arranca, quem nunca contou os longos cinco segundos do v\u00eddeo para fazer skip, quem nunca procurou o bot\u00e3o de \u201cir para o site\u201d, pois j\u00e1 n\u00e3o suporta a imagem que o antecede?<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o se todos fazemos isto, e temos a no\u00e7\u00e3o de que o modelo que vem dos anos 50 do s\u00e9culo passado j\u00e1 n\u00e3o funciona, porque n\u00e3o procuramos outro? Por que raz\u00e3o continuamos a fazer com que as marcas se tornem intrusivas e indesej\u00e1veis. Porque insistimos a interromper a vida dos nossos consumidores, quando n\u00f3s mesmos ficamos irritados quando algu\u00e9m nos interrompe quando estamos concentrados a fazer algo?<\/p>\n\n\n\n<p>Um executivo muito s\u00e9nior da ind\u00fastria da media publicit\u00e1ria disse-me um dia que ningu\u00e9m estava preparado para mudar. E que ningu\u00e9m quereria mudar.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, tamb\u00e9m aqui a mudan\u00e7a \u00e9 uma necessidade absoluta e urgente. Os blocos publicit\u00e1rios, tal como est\u00e3o constru\u00eddos hoje, n\u00e3o ajudam as marcas. N\u00e3o acrescentam valor. Em TV \u00e9 normal encontrarmos frequentemente breaks de 15 minutos. Esta dura\u00e7\u00e3o retira pessoas do ecr\u00e3, e isso penaliza as marcas e os seus objetivos. A criatividade joga aqui um papel fundamental, mas tem de contar com a disponibilidade de todos os intervenientes, pois a cria\u00e7\u00e3o de um ecossistema comunicacional menos intrusivo requer mudan\u00e7as estruturais em todos os intervenientes da cadeia. Mesmo o modelo atual de desenvolvimento publicit\u00e1rio estar\u00e1 posto em causa, e a mudan\u00e7a dever\u00e1 acontecer para um novo modelo de conte\u00fado patrocinado onde a marca ter\u00e1 o seu palco desde que devidamente enquadrada num novo modelo de entretenimento. <\/p>\n\n\n\n<p>Depois o pr\u00f3prio modelo econ\u00f3mico da publicidade ter\u00e1 de sofrer ajustes. At\u00e9 aqui as marcas produziam os seus ativos e pagavam aos suportes para os veicular. O modelo ter\u00e1 de ser mais de reparti\u00e7\u00e3o. As marcas ir\u00e3o ter de contar que uma parte do seu investimento vai ter de regressar aos seus potenciais cliente, seja em formatos de gamifica\u00e7\u00e3o ou de fideliza\u00e7\u00e3o que atraiam alguns destes p\u00fablicos para os suportes onde a nossa publicidade vai estar. Este poder\u00e1 ser um modelo colaborativo entre anunciantes e plataformas, e quem primeiro o implementar ter\u00e1 uma enorme vantagem competitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo em conta os muitos milhares de milh\u00f5es de euros que esta ind\u00fastria significa \u00e0 escala global, a altera\u00e7\u00e3o do paradigma parece-me absolutamente fundamental. Num mundo em que as marcas sofrem de eros\u00e3o constante, uma das causas principais \u00e9 a forma como comunicam com o seu consumidor. O modelo \u00e9 antiquado e est\u00e1 desajustado. A sustentabilidade tamb\u00e9m tem de contaminar a publicidade, evitando o desperd\u00edcio e, sobretudo, ajudando as marcas a serem mais eficientes.<br>Por favor, n\u00e3o incomodemos. O consumidor, agradece!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Artigo publicado originalmente no <a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/opiniao\/por-favor-nao-incomodar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-amber-color\">Mais M<\/mark><\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dias assisti a uma pequena confer\u00eancia sobre Inova\u00e7\u00e3o. A um determinado ponto, o orador explica que determinados modelos de Inova\u00e7\u00e3o disruptiva t\u00eam de ser postos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do consumidor a custo zero \u2013 oferecidos. 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