{"id":3407,"date":"2023-10-09T13:11:00","date_gmt":"2023-10-09T13:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.wygroup.net\/?p=3407"},"modified":"2023-12-28T11:44:47","modified_gmt":"2023-12-28T11:44:47","slug":"tera-o-marketing-ideologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.wygroup.net\/pt-pt\/tera-o-marketing-ideologia\/","title":{"rendered":"Ter\u00e1 o marketing ideologia?"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\">O marketing nasceu num momento de grande expans\u00e3o econ\u00f3mica onde as empresas procuravam novas maneiras de se destacarem dos seus concorrentes. Esse crescimento concorrencial provocou um conjunto de desenvolvimentos em v\u00e1rias \u00e1reas que complementaram as necessidades das empresas no seu processo de diferencia\u00e7\u00e3o, desde logo, o design, a comunica\u00e7\u00e3o, a publicidade, entre muitas outras.<\/h1>\n\n<p><\/p>\n\n<p>A \u00faltima d\u00e9cada conheceu uma viragem importante. O mundo est\u00e1 cada vez mais polarizado e at\u00e9 dividido. Hoje a discuss\u00e3o p\u00fablica de determinados temas sobe a tons dificilmente vistos no passado recente. Ao mesmo tempo, as marcas incorporam nas suas narrativas propostas de sustentabilidade, de responsabilidade social, de inclus\u00e3o, de igualdade de g\u00e9nero, ra\u00e7a e por a\u00ed fora.<\/p>\n\n<p>Dir-me-\u00e3o, e com toda a raz\u00e3o, de que n\u00e3o estamos mais do que a discutir temas de Humanismo, e por isso mesmo completamente consensuais na sociedade. Mas ser\u00e1 mesmo assim? N\u00e3o estar\u00e3o algumas marcas a tomar partido? E essa tomada consciente de posi\u00e7\u00e3o \u00e9 positiva para as marcas? Estaremos a criar \u201cmarcas de direita\u201d e \u201cmarcas de esquerda\u201d?<\/p>\n\n<p>Pe\u00e7o-vos que parem para ver um qualquer programa de debate na televis\u00e3o ou fa\u00e7am uma r\u00e1pida visita a uma rede social. Leiam o que vos surge no feed, mas sobretudo leiam os coment\u00e1rios aos posts. Depois de 10 minutos v\u00e3o sentir uma enorme e generalizada ang\u00fastia. N\u00e3o h\u00e1 di\u00e1logo, h\u00e1 fa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 capacidade para discutir ou para tentar interpretar. H\u00e1 ideias feitas e pr\u00e9 concebidas que se tornam realidades absolutas e imut\u00e1veis. \u00c9 o espelho de onde estamos.<\/p>\n\n<p>Mas \u00e9 nesta realidade que as marcas t\u00eam de se posicionar. Pois \u00e9 aqui, neste verdadeiro \u201ctribunal popular\u201d, que as suas a\u00e7\u00f5es v\u00e3o ser avaliadas e sobretudo criticadas.<\/p>\n\n<p>Vi h\u00e1 pouco dias uma campanha de uma marca nacional a ser verdadeiramente torpedeada por ter feito uma alus\u00e3o aparentemente inocente, mas muito mal interpretada. Perdemos o sentido de humor e com ele a capacidade para n\u00e3o nos levarmos t\u00e3o a s\u00e9rio. Se tudo tiver de respeitar o politicamente correto e nada o possa p\u00f4r em causa, acredito que iremos no caminho de uma sociedade t\u00e3o lisa e aplainada que se tornar\u00e1 completamente amorfa e desinteressante.<\/p>\n\n<p>E aqui entram as marcas, aquelas que t\u00eam efetivamente ideais. Que o fazem com a certeza de que esse \u00e9 o seu p\u00fablico e s\u00e3o com esses que querem estar. Que s\u00e3o genu\u00ednas e aut\u00eanticas. Que n\u00e3o fazem as suas a\u00e7\u00f5es por mero oportunismo, nem para parecerem que s\u00e3o aquilo que de facto n\u00e3o s\u00e3o. Essas, e disso n\u00e3o tenho grandes d\u00favidas, v\u00e3o escolher um lado, seja ele qual for! J\u00e1 o vemos hoje em marcas com preocupa\u00e7\u00f5es ambientais e de sustentabilidade, em projetos de upcicling e recicling. H\u00e1 claramente uma afirma\u00e7\u00e3o quase pol\u00edtica por detr\u00e1s destas marcas. H\u00e1 uma inten\u00e7\u00e3o ativista que \u00e9 salutar, pois foram constru\u00eddas para tal.<\/p>\n\n<p>Esta demarca\u00e7\u00e3o e, mesmo, clivagem, entre marcas e modelos de neg\u00f3cios ir\u00e1 acentuar-se. Aquilo que no passado t\u00ednhamos em que as marcas eram unificadoras e agregadoras, neste momento parece-nos cada vez mais uma realidade distante. Acredito que estamos a assistir ao nascimento do Marketing Ideol\u00f3gico.<\/p>\n\n<p>Mais do que Prop\u00f3sito e de Causas, iremos ter de desenvolver Marketing Ideol\u00f3gico, e n\u00e3o confundir com Marketing Pol\u00edtico, pois nada tem a ver. O Marketing Ideol\u00f3gico ser\u00e1 um reflexo da sociedade e das suas muitas encruzilhadas. Ir\u00e1 focar-se em causas pol\u00edticas e sociais e em temas fraturantes e dificilmente consensuais. Obrigar\u00e1 as marcas a tomar partido, sabendo que uma escolha ir\u00e1 implicar a perda de determinado grupo. Os consumidores come\u00e7am a exigir \u00e0s marcas que se assumam como pretendem ser e por isso mesmo o marketing ideol\u00f3gico ter\u00e1 uma componente de responsabilidade social, de sustentabilidade, de escolhas sociais em mat\u00e9ria de g\u00e9nero, de igualdade de oportunidades. Mas tamb\u00e9m iremos ver o seu oposto.<\/p>\n\n<p>Veremos mais marcas a tomarem posi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sobre as mais variadas quest\u00f5es. Iremos ter um maior debate em torno delas e do protagonismo que ir\u00e3o dar a algumas dessas causas. A decis\u00e3o de participar ou n\u00e3o participar ser\u00e1 provavelmente a decis\u00e3o mais dif\u00edcil e arriscada de fazer. A tradicional forma simp\u00e1tica de agradar a \u201cGregos e a Troianos\u201d tem cada vez mais os seus dias contados.<\/p>\n\n<p>Conhecer a marca e o seu consumidor, entender os desafios do que se pretende defender e sobretudo antecipar o seu impacto presente e futuro no neg\u00f3cio ser\u00e3o decis\u00f5es que ir\u00e3o passar a estar presentes para decis\u00e3o na equipa de marketing. Mas este assumir de posi\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m para o bem da marca, uma garantia que as suas pr\u00e1ticas ter\u00e3o de ser corretas pois ser\u00e3o escrutinadas, e que n\u00e3o existe oportunismo na defesa da causa, mas antes uma enorme convic\u00e7\u00e3o e certeza.<\/p>\n\n<p>Ser\u00e1 um terreno de enormes oportunidades \u2013 para quem escolher a causa certa e a sua forma de participar \u2013 mas tamb\u00e9m um gigantesco risco de reputa\u00e7\u00e3o e de danos para o neg\u00f3cio, pois dificilmente se conseguir\u00e1 voltar para tr\u00e1s e defender o contr\u00e1rio.<\/p>\n\n<p>Uma coisa me parece certa, ningu\u00e9m poder\u00e1 dizer que nada tem a dizer, sob pena de se tornar rapidamente irrelevante. Ser\u00e3o tempos fascinantes, estou certo!<\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Artigo publicado originalmente no <a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/opiniao\/tera-o-marketing-ideologia\/?doing_wp_cron=1697933305.1859509944915771484375\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-amber-color\">ECO<\/mark><\/strong><\/a>.<\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O marketing nasceu num momento de grande expans\u00e3o econ\u00f3mica onde as empresas procuravam novas maneiras de se destacarem dos seus concorrentes. Esse crescimento concorrencial provocou um conjunto de desenvolvimentos em v\u00e1rias \u00e1reas que complementaram as necessidades das empresas no seu processo de diferencia\u00e7\u00e3o, desde logo, o design, a comunica\u00e7\u00e3o, a publicidade, entre muitas outras. 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