{"id":2980,"date":"2023-03-24T22:27:20","date_gmt":"2023-03-24T22:27:20","guid":{"rendered":"https:\/\/wygroup.psales.pt\/o-vento-nao-se-para-com-as-maos-inteligencia-artificial-e-criatividade\/"},"modified":"2023-12-28T14:06:34","modified_gmt":"2023-12-28T14:06:34","slug":"inteligencia-artificial-e-criatividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.wygroup.net\/pt-pt\/inteligencia-artificial-e-criatividade\/","title":{"rendered":"O vento n\u00e3o se p\u00e1ra com as m\u00e3os: Intelig\u00eancia Artificial e Criatividade"},"content":{"rendered":"<h1>Continua a espantar-me o posicionamento e at\u00e9 o antagonismo que algumas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam demonstrado perante o r\u00e1pido crescimento da IA. N\u00e3o podemos parar o futuro e o vento que sopra n\u00e3o ir\u00e1 parar.<\/h1>\n<p>Li h\u00e1 alguns dias uma excelente <span style=\"color: #ff9900;\"><strong><a style=\"color: #ff9900;\" href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/entrevista\/tentar-travar-o-chatgpt-e-tao-eficaz-como-parar-o-vento-com-as-maos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrevista no ECO do Andr\u00e9 Ver\u00edssimo<\/a><\/strong><\/span> ao Novo Dean da NovaSBE que esteve na origem desta minha curta reflex\u00e3o sobre Intelig\u00eancia Artificial (IA) e a sua utiliza\u00e7\u00e3o, ou n\u00e3o, como substituta da criatividade humana.<\/p>\n<p>Devo dizer, para in\u00edcio de conversa, que n\u00e3o sou dos catastrofistas que pensam que vamos ser todos substitu\u00eddos e que as m\u00e1quinas v\u00e3o mandar em n\u00f3s. Aquilo que acredito \u00e9 bem mais simples: Aqueles que n\u00e3o utilizarem IA ser\u00e3o certamente substitu\u00eddos, pois ficar\u00e3o rapidamente obsoletos. E isto \u00e9 verdade para pessoas, processos e organiza\u00e7\u00f5es. A capacidade de acelera\u00e7\u00e3o da IA ser\u00e1 absolutamente determinante e necess\u00e1ria para as nossas novas tarefas substituindo muito rapidamente tudo o que \u00e9 manual, repetitivo e com pouco valor acrescentado.<\/p>\n<p>Num momento em que ainda estamos a \u201carranhar\u201d a superf\u00edcie do que a\u00ed vem, \u00e9 importante notar que a Intelig\u00eancia artificial n\u00e3o \u00e9 uma tecnologia nova. O que \u00e9 novo, e disruptor, \u00e9 a forma encontrada de intera\u00e7\u00e3o com a m\u00e1quina atrav\u00e9s de linguagem natural em vez de programa\u00e7\u00e3o. Esta capacidade democratiza o acesso e permite um conjunto de aplica\u00e7\u00f5es absolutamente transversal a todas as \u00e1reas, neg\u00f3cios e pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A grande discuss\u00e3o do momento, em empresas, universidades e na sociedade \u00e9 se o produto que sai da IA \u00e9 ou n\u00e3o criativo. Se \u00e9, de quem \u00e9 a sua propriedade, ou se quisermos quem \u00e9 o seu autor? A m\u00e1quina ou quem o conseguiu gerar? E os modelos em que a m\u00e1quina se inspirou, t\u00eam algum direito?<\/p>\n<p>Genericamente, a criatividade \u00e9 a capacidade de produzir ideias, solu\u00e7\u00f5es ou produtos originais e com valor. \u00c9 um processo complexo e muitas vezes dif\u00edcil de descrever que envolve imagina\u00e7\u00e3o, pensamento divergente, associa\u00e7\u00e3o de ideias e a capacidade para observar e estabelecer liga\u00e7\u00f5es entre factos e objetos aparentemente n\u00e3o lig\u00e1veis entre si.<\/p>\n<p>J\u00e1 a IA desenvolve o seu produto baseado em computa\u00e7\u00e3o feita atrav\u00e9s de algoritmos e de modelos matem\u00e1ticos que se baseiam em dados e em informa\u00e7\u00f5es do passado. Ou seja, a m\u00e1quina precisa de entender o passado e de o relacionar para conseguir produzir algum tipo de conhecimento. O melhor exemplo disto \u00e9 a m\u00fasica. Sendo muito simplista, existem sete notas que podem ser combinadas entre si. Logo existe um conjunto de combina\u00e7\u00f5es para essas mesmas notas que se v\u00e3o multiplicando a cada segundo de trecho musical. Quando se aplica IA aquilo que a m\u00e1quina vai fazer \u00e9 verificar que combina\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram feitas e procurar outras que ainda n\u00e3o tenham sido. E com isso constr\u00f3i o primeiro n\u00edvel da partitura. Depois faz o mesmo para o ritmo, de seguida para os instrumentos e assim por diante, at\u00e9 conseguir construir algo completamente novo. Se gostarem destes temas espreitem o projeto AIVA (Artificial Inteligence Virtual Artist) onde rapidamente nos podemos tornar compositores de qualquer estilo musical.<\/p>\n<p>O mesmo se passa na arte. A empresa francesa Obvious criou um quadro chamado \u201cPortrait of Edmond de Belamy\u201d que imita a pintura cl\u00e1ssica do s\u00e9culo XVIII. Foi t\u00e3o surpreendente que acabou por confundir cr\u00edticos e \u201cespecialistas\u201d e acabou vendido pela Christie\u2019s por mais de 400 mil d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Embora a IA tenha conhecido nos \u00faltimos meses um avan\u00e7o muito consider\u00e1vel, existem ainda muitas limita\u00e7\u00f5es face \u00e0 criatividade humana. Uma das principais limita\u00e7\u00f5es \u00e9 a incapacidade da IA para compreender completamente o contexto cultural e emocional em que a criatividade humana \u00e9 gerada. Neste sentido a IA \u00e9 limitada pois aprende a partir de dados pr\u00e9-existentes, o que pode levar a um vi\u00e9s na produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado criativo.<\/p>\n<p>Outra limita\u00e7\u00e3o \u00e9 a falta de capacidade de experimenta\u00e7\u00e3o e improviso. A criatividade humana \u00e9 muitas vezes influenciada por fatores emocionais e experi\u00eancias pessoais, o que leva a uma abordagem mais livre e menos constrangida na cria\u00e7\u00e3o do conte\u00fado criativo. A IA n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 limitada a algoritmos e a modelos matem\u00e1ticos como n\u00e3o consegue replicar o talento e a habilidade t\u00e9cnica da natureza humana. De facto, o maior desafio para estas ferramentas \u00e9 a incapacidade para compreender contextos emocionais, nuances culturais, habilidades t\u00e9cnicas e a sensibilidade emocional que tantas vezes fazem a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9tico-legal tem sido um dos pontos de maior discuss\u00e3o. Ser\u00e1 \u00fatil para uma sociedade colocar uma m\u00e1quina a imitar os quadros de um dos seus grandes mestres? Quem \u00e9 o autor? Quem deve receber o valor que essas obras ainda assim poder\u00e3o ter? Depois existe ainda a quest\u00e3o dos \u201cdeep-fake\u201d, modelos de composi\u00e7\u00e3o de imagem e de som que utilizando imagens geradas conseguem \u201cimitar\u201d uma personalidade num local ou num momento que n\u00e3o viveu dizendo aquilo que nunca disse. Mas como algu\u00e9m uma vez me disse, um martelo \u00e9 um martelo e pode servir para pregar um prego e ser \u00fatil ou pode servir para agredir algu\u00e9m. Mas nunca deixar\u00e1 de ser um Martelo.<\/p>\n<p>Quando olhamos para a Comunica\u00e7\u00e3o e para o Marketing, vemos de imediato um enorme conjunto de oportunidades para clientes e ag\u00eancias, para publicit\u00e1rios e para marketeers.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9, como ambos ter\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o as mesmas ferramentas, pelo que aquilo que efetivamente for criado com mais valor ser\u00e1 de imediato percet\u00edvel por todos. Os trabalhos ir\u00e3o ser mais focados naquilo que efetivamente ter\u00e1 maior valor acrescentado para as marcas e a capacidade para o foco e para a produtividade ser\u00e1 largamente aumentada para ambas as partes.<\/p>\n<p>Imagino do lado dos marketeers trabalhos mais profundos de conhecimento da marca e da sua concorr\u00eancia. Uma maior partilha de informa\u00e7\u00e3o com os seus parceiros alicer\u00e7ada num conjunto de dados que ainda que s\u00e3o p\u00fablicos ter\u00e3o agora, por for\u00e7a da sistematiza\u00e7\u00e3o, ainda mais valor. As estrat\u00e9gias ser\u00e3o mais exigentes e mais pensadas, e os insights de neg\u00f3cio ser\u00e3o ainda mais importantes e os verdadeiros catalisadores da constru\u00e7\u00e3o das marcas.<\/p>\n<p>Do lado das ag\u00eancias existir\u00e3o tarefas que deixar\u00e3o de fazer sentido e por isso mesmo algumas dos seus servi\u00e7os pura e simplesmente deixar\u00e3o de existir no atual modelo. Novas profiss\u00f5es ser\u00e3o criadas para cada uma que for desaparecendo. Ir\u00e1 ter de existir, por exemplo, um \u201cprompt engineer\u201d em cada organiza\u00e7\u00e3o. Algu\u00e9m que ir\u00e1 aprender e a desenvolver sensibilidade para melhor interagir com a m\u00e1quina. Ser\u00e1 um linguista? Um copy? Um engenheiro? Teremos de ainda de descobrir.<\/p>\n<p>No entanto, continua a espantar-me o posicionamento e at\u00e9 o antagonismo que algumas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam demonstrado perante o r\u00e1pido crescimento da IA. N\u00e3o podemos parar o futuro e o vento que sopra n\u00e3o ir\u00e1 parar colocando apenas as m\u00e3os na frente da cara. O vento est\u00e1 c\u00e1 e veio para ficar. E que sorte temos, enquanto gera\u00e7\u00e3o, de o estar a viver.<\/p>\n<p>Tal como aconteceu com o aparecimento da eletricidade, depois da internet e agora da IA, muitos empregos e profiss\u00f5es ir\u00e3o desaparecer, mas muitos outros de muito maior valor acrescentado ir\u00e3o ser criados. E no limite, isso \u00e9 o progresso e evolu\u00e7\u00e3o e sempre aconteceu ao longo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Que a desconfian\u00e7a d\u00ea lugar \u00e0 esperan\u00e7a e \u00e0 curiosidade, pois quanto mais depressa o fizermos melhor ser\u00e1 certamente a nossa profiss\u00e3o e a nossa vida. Que as m\u00e3os saiam da cara para que consigamos ver os sorrisos.<\/p>\n<p>Artigo publicado originalmente no <a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/opiniao\/o-vento-nao-se-para-com-as-maos-inteligencia-artificial-e-criatividade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MaisM<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continua a espantar-me o posicionamento e at\u00e9 o antagonismo que algumas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam demonstrado perante o r\u00e1pido crescimento da IA. N\u00e3o podemos parar o futuro e o vento que sopra n\u00e3o ir\u00e1 parar. 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